LIBERDADE.
Para Sartre e tantos outros filósofos existencialistas, a liberdade era algo que para ser atingida, o ser humano deveria abrir mão da sua própria existência para alcançá-la, onde somente através do suicídio se tornava possível tal fim. Essa reflexão entendida de forma equivocada levou muitos à morte, algumas delas causadas por uso abusivo de drogas.Particularmente discordo dos ilustres pensadores que defenderam tal idéia. A liberdade é possível sim, e é o que existe de mais importante na vida de um ser humano, mais até do que a própria saúde, e que não precisa necessariamente passar pelo viés dos alucinógenos, barbitúricos ou álcool quando do uso irresponsável.Nas últimas semanas, a população de Bom Jesus do Norte (ES) e Bom Jesus do Itabapoana (RJ) foi surpreendida por ações policiais que culminaram na prisão de várias pessoas e na apreensão de grandes quantidades de entorpecentes: aproximadamente 12 quilos, entre cocaína, crack e maconha. Paradoxalmente, uma quantidade enorme em se levando em conta a população das duas cidades e, sobretudo, por serem distantes das suas respectivas capitais, onde a população daquelas é bem maior que de ambas Bom Jesus. Mas um detalhe chamou a atenção nessa operação: diferentemente das operações policiais que ocorreram em outros estados e municípios, não houve disparo de um único tiro de arma de fogo, o que concede a operação sucesso total, pois vidas foram mantidas, drogas apreendidas e dadas todas as garantias constitucionais aos acusados em sua defesa.Num país democrático de direito, é assim que funciona; num país que tem um Judiciário mais que competente numa pequenina comarca com é em Bom Jesus do Norte, é assim que funciona; num país que tem policiais quase sem recursos mais que têm muita vontade e competência, é assim que funciona. Certamente que o resultado desse trabalho não poderia ter sido diferente, ou seja, prevaleceu a inteligência em detrimento a truculência de alguns poucos agentes da lei que pensam ser eles próprios a Lei.É certo, como dois mais são quatro, que em algum momento da vida todos nós cometemos um tipo de crime: quem nunca falou mal de alguém? Isso é crime, mas existe a diferença que é a consciência de se estar cometendo um delito, o desejo de vê-lo concretizado e o risco de ser ou não descoberto, e por outro lado, a ingenuidade, o valor mínimo da coisa, a consciência, etc.Quem planta desespero, não pode colher felicidade; quem semeia a morte, não pode esperar vida eterna, isso é o que fazem os traficantes, essa é a realidade do mundo das drogas hoje, o que não quer dizer que tenha sido sempre assim. O uso de drogas é tão antigo quanto à própria humanidade, a diferença, é que naquela época, não havia a figura do traficante, assim como a escravidão na África no século XIV, que já existia antes da chegada do europeu ao continente, mas que também não existia o tráfico, elemento novo criado pelo homem branco nessa relação. É por isso que atualmente existem grandes apreensões, pois há muitos usuários em todo o mundo, porém, muitos deles não são bandidos, ao contrário, são pessoas do bem e que produzem bens os mais diversos para os seus paises, o que não quer dizer que as drogas não devam ser combatidas, sim devem, mas existe também um outro viés que oportunamente irei esboçar, mas que não podemos negar que exista: o prazer, admitido pela psicologia e psiquiatria.O Brasil em muito vem avançando em sua legislação em relação ao tema, como por exemplo, a Nova Lei Anti-Drogas que endureceu para com os traficantes e aqueles que se associam ao tráfico, além de ter dado um novo tratamento para com os usuários, um avanço na legislação, porém, muita coisa ainda deve ser feita a respeito. Um outro avanço recente e que foi publicado no Jornal O Globo dessa semana, foi a Redução de Danos aprovada pelo Congresso Nacional, o que pessoalmente considero louvável, mas muitos pontos obscuros ainda devem ser ponderados de forma consciente, responsável e adulta, tanto pelos legisladores como pela sociedade, que não pode ficar de fora desse debate.Por último, não podemos nos esquecer que a vida é feita de escolhas, e que essas escolhas são sempre solitárias, somos nós quem a fazemos e que por isso somos nós quem vamos responder por nossas ações e/ou omissões, a qual passa evidentemente pela liberdade. Quando se banaliza a vida, corre-se o risco de perdê-la, talvez um desses ditos populares mais idiotas que ouvi na vida foi que “cadeia não foi feita para cachorro”, está aí um belo exemplo de banalização do mal. É importante que se tenha consciência do valor da liberdade, do quanto ela é importante e que a sua ausência gera muitas dores tanto para quem perde quanto para os familiares e amigos que ficam.Só se vive uma única vez, que essa experiência maravilhosa que é viver, seja pautada na lógica da coerência, do amor, da solidariedade e pela vida, nunca pela banalização, essa, é a condição humana: escolher entre o bem e o mal. Escolher entre ser ou não ser LIVRE.Bom Jesus do Norte, 07/12/2008.__________________________Marcelo Adriano Nunes de Jesus.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Assinar:
Comentários (Atom)